
GUERRA DOS MUNDOS ou O FIM DO MUNDO
se eu disser pra vocês não irem assistir não vai adiantar, vai? então diminuam suas expectativas pela metade... não, para um quinto e leiam esta crítica antes, pra não sairem tão frustrados quanto eu e depois virem aqui dizer que eu não avisei.
então já estão avisados!!!
11:51 PM
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PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA
determinadas coisas na vida só passam a ser percebidas quando vistas pela lente de aumento posta por outra pessoa. assim foi assistindo pela segunda vez ao espetáculo "parem de falar mal da rotina" magistralmente escrito, dirigido e interpretado por Elisa Lucinda. não sabe quem é? então pare tudo que estiver fazendo agora e vá se informar. essa mulata de olhos verdes provocantes arrebatou meu coração e alma assim que botei os olhos nela num longínquo programa do intragável Jô Soares. de lá para cá, sempre estou atento para vê-la quando está aqui por sampa. ela é a simbiose perfeita entre poetisa, atriz e cantora e neste espetáculo que está, infelizmente, em cartaz apenas até o próximo dia 3, ela faz com que você reflita sobre os problemas mais complexos de nosso cotidiano ou sobre a singeleza de um por do sol em interpretações pra lá de inspiradas. seja através de incontidas gargalhadas ou lágrimas fortuitas, uma coisa é certa, você nunca mais será a mesma pessoa. são momentos deliciosos onde você se vê refletido em situações cotidianas que vão do papo com a empregada doméstica, o porquê de um cabelo ser ruim(ou bom), até as sutilezas do "eu te amo". vá, vá e leve seus afetos, desafetos, amigos e inimigos e saiam de lá com a alma lavada.
p.s.: de quebra, na saída ainda tocam as estrofes da genial música do Paulinho Moska interpretada por Zé Cabaleiro, O Último Dia, pra ir pensando enquanto dirige de volta pra casa:
"...
Meu amor, o que você faria
Se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
..."
1:03 PM
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LIVE$TRONG
já dizia o velho deitado que de boas intenções o inferno está cheio... e aquilo que era pra ser uma coisa legal, solidária, acabou virando objeto de desejo pelo mundo e como todo objeto de desejo, um alvo fácil para a pilantragem geral. a pulseirinha livestrong foi criada pelo ciclista lance armstrong hexacampeão da corrida mais importante dessa modalidade, o tour de france, além também de ter vencido ele mesmo a metástase de um câncer que havia desenvolvido. com o nobre propósito de angariar fundos para a the lance armstrong foundation, foi criada para viabilizar a realização de projetos voltados para os portadores de câncer. pra dar uma forcinha, vários artistas como bono vox, angelina jolie, robin willians, resolveram fazer propaganda delas e começaram a usá-las em eventos e aparições públicas. sucesso imediato. a daslu(argh!) então importou um caminhão delas e começou a vender na sua lodjinha e é claro, os playboys antenados e descolados começaram a se estapear pra conseguir uma. pronto... virou modinha. estava dada a largada pra produção em série e pirataria das tais pulseirinhas. mas e a lance armstrong foundation ??? e os portadores de câncer ??? fodam-se! a grana agora tá indo pro bolso da chinesada que produziu e pra chinesada daqui dos standcenters e promocenters da vida. além do que, virou modelo pra uma forma fácil de ganhar grana pra tudo... tem pulseira da nike, do orgulho gay, do não racismo, de shopping-center... logo, logo sai a da xuxa(rosa, claro), da angélica(vem com uma pinta!) e por aí vai. lembro de ter visto, ainda deve haver, aquelas camisetas e acessórios com o emblema da campanha do câncer de mama, o alvo azul, sendo vendido por camelôs na 25 de março. é a filantropia que vira pilantropia. sinal dos tempos meus caros, sinal dos tempos!!!
11:38 AM
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Collage of man's face and relationship terms - Digital Vision
BLUE
dia desses me surpreendi ao constatar que há tempos não sei o que é lidar com um sentimento genuíno de afeto por outra pessoa. Seja amante, amigo, namorado... deixa explicar. quem viveu os anos 80, quando não existia o "ficar', sabe que era quase impossível, inadmissível até, não nutrir, de imediato, algum sentimento de afeto por alguém e construir um laço que justificasse estar junto, seja para um beijo, uma trepada ou um namoro. mesmo que fosse um namoro de 1 semana, 1 mês ou 1 ano. tudo bem que nessa época eu era um adolescente como qualquer outro, cheio de sonhos, pudores e medos comuns à idade, mas mesmo com este desconto, a conta ainda não bate. com o passar do tempo, as relações começaram a banalizar-se(ou eu me banalizei!) de tal maneira, que criou-se um abismo emocional entre mim e o mundo. amo sexo. muito. e modéstia à parte, eu sou muito bom nisso. sei chegar junto, sei o que fazer e como fazer, sei proporcionar prazer e obter prazer. ultimamente só isso. nos últimos 4 anos, pelo menos, eu simplesmente dispensei, um por um, todos os namorados que cruzaram meu caminho, por não conseguir desenvolver nenhum sentimento de afeto por eles. nada. zero. no começo até me interessava, o sexo era ótimo, alguma conversa palatável, um carinho aqui e ali, mas depois de algum tempo estava novamente vazio, frio, sem a menor perspectiva de continuar ao lado de quem quer que fosse. tudo ficou muito automático e anti-séptico. não consigo nem sequer identificar algum traço de humanidade nos últimos caras que trepei. sabe como? vou dar um exemplo... um vizinho de apartamento deu mole outro dia enquanto prosaicamente estendíamos roupas em nossas respectivas áreas de serviço. uma olhada, um sorriso meio sem vergonha e alguns minutos depois, havia trocado meia dúzia de palavras com ele e estava trepando ferozmente com o cara na minha cama. foi bárbaro! outra vez, um outro dia... ótimo de novo! ontem estava na padaria comprando algumas coisas e o vi próximo de mim conversando com um amigo. parei por uns instantes e comecei a prestar atenção nele enquanto falava. era outra pessoa ali. ele tinha voz, uma vida, idéias a trocar, enfim era um indivíduo. mas um indivíduo que se furtou de mostrar quem era nas duas ocasiões em que fodemos. assim como eu, óbvio. deu-me um sentimento horrendo de vazio. por um instante quis entender porque eu era o pica-sem-nome-nem-vida-que-comi-uma-bunda-sem-nome-nem-vida ao invés de ser o cara risonho e falante que o acompanhava ali naquela bosta de padaria metida a chic. porque não eu? outro exemplo... tenho cento e tantos "amigos" no orkut e mais uns 20, 30 cadastrados na minha agenda de celular. domingo fui assistir batman(ótimo por sinal) sozinho. não ligo, ninguém liga. e fica por isso mesmo. é um moto contínuo de falta de sentimentos. talvez o acumulo de trabalho, faculdade e mais trabalho agora aos finais de semana no restaurante, seja uma maneira consciente ou inconsciente de tapar um buraco que tem crescido a olhos vistos. não estou aqui fazendo mea-culpa, nem pedindo pra passarem a mão na minha cabeça. só queria saber o que rola. o problema é comigo? com os outros? com todo mundo? talvez esteja no ponto pra cair nas garras de um bom, ou filho da puta, terapeuta. ou talvez só precise de um gesto sincero de carinho e amizade. quem sabe? quem se importa?
5:12 PM
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AFG - Associação de Famílias GLTTB e
GPH - Grupo de Pais de Homossexuais
Convidam para o Seminário:
Homoafetividade e Homoparentalidade: Novos Lares e Novas Famílias para o Brasil do Século XXI
Data: 02 de julho de 2005 - sábado - das 10 h às 17 horas
Local - Biblioteca Mário de Andrade - Centro - São Paulo
Cronograma
Parte da manhã: Homoafetividade
Horário: das 10 h às 13 h na Sala de Atualidades - térreo
Bloco 1 - A família de origem - Edith Lopes Modesto - educadora e escritora
"O paradoxo das relações afetivas entre pais e filhos homossexuais (GLTTB)"
Perguntas e discussões
Bloco 2 - Aspectos psicológicos do casal homossexual -
1 psicólogo especializado
Grupo de Casais Gays/Lésbicos de Ribeirão Preto - Relato de uma experiência - Jucely Cardoso (psicóloga)
Perguntas e discussões
Bloco 3 - O "juramento do casal": aspectos religiosos
- Beto de Jesus - teólogo
Tommaso X Edmilson do Corsa
Perguntas e discussões
Parte da Tarde - Homoparentalidade
Auditório da Biblioteca - início às 14 horas
Bloco 1 - Maternidade lésbica - Érica Souza - antropóloga
Projeção de vídeo documentário realizado pelo Grupo Famílias Alternativas - FALT
Perguntas e discussões
Bloco 2 - Famílias homoafetivas - Casais homossexuais com filhos
- Klécius Borges - psicólogo.
Relato de uma experiência - Irina Bacci
Depoimento de famílias homoafetivas
Bloco 3 - O Brasil do Século XXI: um país de todas as famílias?
Debate aberto coordenado por Lula Ramires, filósofo
Ênfase em educação - Introdução do Lula.
Perguntas e debate.
Encerramento - Comemoração do aniversário de 10 anos do Grupo Corsa
*** Eu gostaria de convidar todos vocês para esse evento que será, sem dúvida, um ótimo exemplo dos esforços que as organizações que lutam pelos direitos dos homossexuais estão desenvolvendo.
Eu e minha mãe, além de outros convidados, estaremos no primeiro bloco, pela manhã, dando nosso depoimento e respondendo perguntas.
Espero vocês lá!!! beijos.
4:49 PM
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