[ Sexta-feira, Julho 29 ]



Barrett Forster

PRESSÁGIO

das infinitas possibilidades existentes ao teu lado, a que mais me encanta é teu sorriso. largo. sincero. essa tua facilidade em dar leveza aos momentos em que estamos juntos, me conforta da tribulação de dias afobados, do meu futuro incerto. me devolve a paz, o sossego há tempos esquecido. é teu e de mais ninguém o sopro de ar fresco que trago em meu peito e que guardei intacto na esperança de que um dia a ti pertencesse. não que de ti soubesse, minto, na verdade sabia, mas não acreditava na inevitabilidade de um novo encontro. que tolo fui. ledo engano. não é que aqui estamos?! nem do tempo ou do destino traçado, donos, fomos. melhor assim. melhor que dure. que dure até o fim, o frescor deste começo. que todas as experimentações trazidas até aqui , sirvam de norte para que velhos erros não sejam repetidos e os novos, corrigidos com este mesmo sorriso, meio abobado, que agora temos estampado no rosto. te quero de maneira diferente e a mim também ofereço de forma inédita. seja bem vindo! seja bela nossa história. que a vida siga seu rumo, contigo aqui no meu mundo, comigo aí do teu lado.

6:35 PM Embarque aqui:

[ Quarta-feira, Julho 27 ]



Anne Rippy to GettyImages

QUEM É O BUZUNGUINHO DA BUZUNGUINHA? ARGH!

avesso que sou a frescurites e afins, sempre acho engraçado aqueles apelidos carinhosos que os apaixonados adotam quando o relacionamento engrena e a intimidade aumenta.
trabalhei com um cara que ele e a esposa já meio balzacos, tornaram-se orgulhosos papais e um chamava ao outro de pai e mãe depois do nascimento dos filhos. era estranho ouví-lo ao telefone chamando a esposa de mãe. sabia-se que não era sua progenitora porque esta já tinho ido desta para melhor. então a "mãe" na verdade era a esposa.
apelidos carinhosos sempre vêm no diminutivo e necessariamente não precisam significar alguma coisa. tipo: bizunguinho, miminho, biluzinho e por aí vai. quando não, caso os protagonistas sejam mais avantajados, gordinhos ou altos, aí fica tudo no aumentativo. gatão, buzungão, grandão, fofão. tudo "ão".
e muito mais ridículo do que os apelidos, são aquelas conversas com vozinhas infantilizadas e melosas protagonizadas pelos casais apaixonados. podem me chamar de misógino, mas a grande maioria das vezes são as mulheres que se propõe a desempenhar esse papel totalmente patético.
também tem o inverso. quando o relacionamento já deu o que tinha que dar, ou quando o casamento já esticou por anos à fio. aí a bizunguinha se transforma em "dona encrenca", "a polícia", "trubufú que eu tenho lá em casa". o buzungão vira "aquele saco de batatas", "banana", "imprestável", "mala sem alça". hiper romântico.
na verdade, confesso que é difícil não ceder a tentação de apelidar a quem se quer bem. fica estranho e impessoal demais chamar o outro pelo nome próprio, assim na lata, a todo instante. soa frio, sem carinho.
pelo sim, pelo não, se eu tiver que apelidar meu bem querer um dia, vai ter que ser na base do "ão" e nada de vozinhas açucaradas. sou muito mais para uma dose maciça de testosterona. e tenho dito!

6:18 PM Embarque aqui:

[ Quarta-feira, Julho 20 ]



Thinkstock

POSSIBILIDADE

não me importa de quão longe venhas,
tuas idiossincrasias, defeitos...
não me importa o que tenhas,
o que vistas, problemas...
não me importa teu corpo,
tuas tatuagens, teu jeito...
não me importa passado,
futuro, dilemas...
não me importa quem te pariu,
te cuspiu, te comeu...
não me importa a forma,
o tamanho, o comprimento...
não me importa tua cor,
tua dor, teu cheiro...
eu te quero inteiro,
eu te quero feito,
eu te quero perto,
eu te quero no peito!
eu quero a pos-si-bi-li-da-de.

10:17 PM Embarque aqui:

[ Quinta-feira, Julho 14 ]




A HADDOCK ME ESPERA
MURPHY ou NADA ESTÁ TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR



diz o ditado que "quando você estiver no limite dos seus esforços, estará a um passo do seu objetivo".
é clichê e o caralho a quatro, mas espero que de alguma forma seja verdade, porque tem tanta coisa em jogo nesta altura do campeonato que não estava nos planos ficar sem emprego neste momento. então patuás, velas de sete dias, despachos na esquina... tá valendo qualquer coisa. e se alguém souber de alguma vaga na área de informática, que pague razoavelmente bem, pode deixar o email aí que eu mando o curriculum em seguida.
na pior das hipóteses as putas da haddock que me desculpem, mas em breve terão que dividir a calçada da fama comigo!


p.s.: e não é que o emprego na haddock deu certo? :) obrigado pela torcida.

12:59 PM Embarque aqui:

[ Quarta-feira, Julho 6 ]




9 CANÇÕES ou 9 inches (benzadeus!)

se você já ouviu falar algo sobre este filme, com certeza ouviu que é um filme com cenas pornográficas ou de sexo explícito. mas é muito mais que isto. 9 Canções é uma tentativa quase acertada, faltou ser um longa, de desmistificar o sexo explícito no cinema. as cenas são belas, todas as transas são filmadas dentro de um contexto no desenrolar do relacionamento amoroso entre o casal e as canções acompanham otimamente estas cenas. esta crítica diz exatamente aquilo que o filme é e o que o diretor imaginava quando o filmou. vá ver! e depois volte para casa e faça uma homenagem ao protagonista que além de charmosíssimo, é o famoso baixinho na altura, mas enorme em outros departamentos. rs bom filme!!!

11:55 AM Embarque aqui:

[ Sexta-feira, Julho 1 ]



O Grupo CORSA - Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor, a INOVA - Associação de Famílias GLTTB e o GPH - Grupo de Pais de Homossexuais, promovem no próximo dia 02 de julho o Seminário:

Homoafetividade e Homoparentalidade: Novos Lares e Novas Famílias para o Brasil do Século XXI
Data: 02 de julho de 2005 - sábado - das 10 h às 17 horas
Local - Biblioteca Mário de Andrade - Centro - São Paulo

veja aqui o PROGRAMA

gostaria de compartilhar com vocês os depoimentos meu e de minha mãe, que serão dados amanhã no seminário. acho que são importantes para todos aqueles que ainda não se assumiram ou que tem dificuldades com os pais para conversar sobre homossexualidade. espero vê-los lá!

M.


Meu nome é M., sou mãe do R.
Primeiramente gostaria de agradecer aos organizadores deste seminário e a E. pelo convite. Obrigado.
Parabenizo também as pessoas que lutam e não medem esforços para conquistar seus direitos.
Vivemos numa sociedade de discriminação, injustiça e preconceito.
Num poema consta:
"Agora é necessário
Que cada indivíduo
Se torne mais forte
Que controle e vença a autoridade
Esse é nosso direito
Nós lutamos
E elevamos a voz bem alto
Para que possamos viver
Uma vida maravilhosa e alegre".
Para mim como mãe, não foi fácil aceitar a homossexualidade do meu filho.
Ouvia falar sobre pessoas, homens e mulheres, mas jamais pensei que ele fosse assim.
Sofri bastante, pois sonhava vê-lo casar com uma jovem e ter sua própria família. Não conseguia imaginar ele se relacionando com outra pessoa do mesmo sexo.
Existem sofrimentos na vida que são superiores a nossa capacidade de entender e suportar. Esse foi um dos sofrimentos que passei, a ponto de buscar apoio espiritual, que acabei encontrando no budismo. O budismo ensina a rigorosa lei da causa e efeito, a dignidade da vida e a valorização do ser humano na sua essência e totalidade, a valorizar suas qualidades e suas contribuições em prol da felicidade do próximo e a não julgá-los.
Conversamos bastante e percebi que eu era a única pessoa com quem ele poderia contar naquele momento e aceitá-lo assim como era. Coloquei-me no lugar dele e passei a vê-lo não como meu filho e sim como pessoa. Ver que se para mim não estava sendo fácil, com certeza para ele também não estava e que era um momento em que ele precisava de mim como mãe e amiga.
Compreendi que isto é um assunto muito particular, isto é, a vida sexual dele, que só a ele diz respeito, como acontece com os casais, um lado muito íntimo.
Ele é um filho maravilhoso, pessoa de caráter, trabalhador, esforçado e amoroso.
Para mim, o que importa é ele como pessoa na família, na sociedade, com os amigos e o que faz de bom para as pessoas.
Meu filho, eu te amo de todo meu coração.

R.

Meu nome é R., tenho 38 anos e sou homossexual.
Também gostaria de agradecer aos organizadores do evento, por viabilizar a realização de um seminário como este, a E. pela amizade sincera e a todos aqui presentes.
Minha memória mais distante a respeito do sentimento de afeto por outro homem, é de quando eu tinha mais ou menos 4 anos de idade. Portanto, uma idade em que uma criança não tem malícia, ainda não pode discernir sexualmente sua orientação. E este sentimento nunca foi da mesma forma em relação as mulheres, o que faz com que eu acredite que a orientação sexual de um indivíduo não esteja vinculada à educação, à influência do meio em que vive e tantas outras teorias que existem para tentar explicá-la. Seja lá o que for que a defina, uma coisa eu tenho absoluta certeza, não é uma "opção" como algumas pessoas gostam de supor. Diante disso, não nos sobra muitas alternativas senão tentar, da melhor forma, construir uma vida positiva em meio ao preconceito e dificuldades que ainda cercam os homossexuais.
Foi difícil pra mim na adolescência, conseguir entender o que acontecia comigo, porque há 25 anos atrás não existia a menor possibilidade de conversar com alguém sobre a homossexualidade sem que isso gerasse um mal estar generalizado. Era um tabu. Principalmente em família. Portanto, não foi nada fácil, aos 18 anos conversar com minha mãe sobre o assunto, porque ela, assim como toda mãe, esperava que eu fosse como os filhos de suas amigas, ou seja, que tivesse namoradas, que casasse e tivesse filhos. Porém, essa pressão acabou tornando-se insuportável, pois eu sabia que nada disso aconteceria.
Um dia diante de uma pergunta dela, acabei confirmando que era homossexual e foram necessárias muitas conversas francas entre nós, até que ela entendesse um pouco aquilo que se passava comigo. Foi um alívio, porque não precisaria mais mentir para quem eu amava e ao mesmo tempo teria o apoio da pessoa que mais importava naquele momento, que era minha mãe. Com o passar do tempo e através de atitudes minhas, ela pode entender que meu caráter não estava vinculado à minha sexualidade e acabamos construindo juntos os valores que nos fortaleceram e fizeram com que chegássemos até aqui hoje.
Eu felizmente tive a sorte de ter sido criado por uma mãe amorosa e ter uma família compreensiva, que desde então ajudaram na formação da minha auto-estima enquanto homossexual, me dando amor e fazendo com que não me sentisse um ser humano de segunda categoria. Apoio fundamental para que eu pudesse criar as bases que me sustentaram e sustentam até hoje e fazem com que eu tenha força e determinação para superar as dificuldades impostas pela nossa sociedade. Dificuldades que para nós, homossexuais, vêem multiplicadas por dois, porque além dos problemas cotidianos comuns à todos, ainda temos que superar os que nos são impostos pela nossa sexualidade.
Por fim, eu gostaria de fazer um apelo a todos que estão aqui hoje. Pais, para seus filhos. Filhos, para seus pais e amigos. Que vocês tenham a generosidade de aceitar, amar e respeitar aqueles que não são nem melhores nem piores que os outros, apenas diferentes. Nós os homossexuais.

5:05 PM Embarque aqui: