AnneKarin Glass
SKINDÔ, SKINDÔ
se vai viajar, cuidado na estrada. se vai beber, não dirija. se vai transar, use camisinha. se vai ficar em casa, aproveita e bota a leitura em dia. se brigou com o namorado, se joga no bas-fond. se vai desfilar, arrase no samba no pé. se tá sem grana, aproveita os blocos de rua. se odeia carnaval, vá ao cinema. se vai à praia, não esqueça o protetor solar. se não vai fazer nada disso, vem aqui e me conta o que fez e até quarta-feira de cinzas.
2:42 AM
Diário de Bordo:
HELLO, BRAZIL!
o brasil parece ter entrado definitivamente no roteiro de grandes artistas internacionais. mesmo que não sejamos prioritários, e apenas colocados nas turnês quando eles estão dispostos a descer a linha do equador, não há como negar que a safra tem sido boa. iggy pop, pearl jam(esse com uma década de atraso), nine inch nails, sonic youth, franz ferdinand, rolling stones, u2 e dizem que ainda vem jamiroquai, oasis, lauryn hill e em agosto madonna. sem contar os nacionais que já deram a cara. maria bethânia, marina lima, simone e por aí vai. ter grana para acompanhar essa avalanche de shows é que é o problema. dizem que pearl jam e u2 fiscalizam lá fora a venda de ingressos para que o preço não seja abusivo. não foi o que se viu por aqui. tirando os pedras rolantes que fizeram a festa de 1,2milhão de pessoas na faixa, o resto quer mais é seu rico e suado dinheirinho. portanto, vá poupando!
3:19 PM
Diário de Bordo:
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TIRAMISÙ
um desavisado qualquer julgaria tratar-se de um prato japonês. ledo engano. italianíssimo, o nome tiramisù é formado pelo imperativo do verbo tirare 'puxar; lançar; levantar etc.', mais o pronome pessoal mi 'me', mais a preposição su 'para cima' - assim chamado em alusão às suas pretensas potencialidades energéticas obtidas pela união de ovos, açúcar e cafeína. mais uma vez, valeu-me o pai dos burros.
diz a lenda que na veneza antiga as cortesãs consumiam-no antes de receber seus "convidados" para que suas reservas de energia fossem reforçadas e agüentassem a noite de amor. versão não muito provável, mas simpática. outra história conta que as mulheres do norte da itália preparavam-no para que seus homens ficassem fortes antes de partirem para a primeira guerra. porém, há uma versão mais moderna em que se credita a receita da sobremesa ao restaurante le beccherie, devido a uma citação do gastrônomo italiano, giuseppe maffioli num artigo de 1981, dizendo "tiramisù foi criado recentemente, apenas há 10 anos na cidade de treviso. feito pela primeira vez no restaurante le beccherie". portanto, algo em torno de 1971.
na versão clássica é preparado com pão-de-ló (ou biscoito), ovos, queijo mascarpone, vinho marsala, café expresso e salpicado de cacau em pó. vai à mesa depois de uma passagem pelo freezer e um tempo na geladeira para voltar à textura cremosa. histórias a parte, o que se sabe ao certo é que esta deliciosa sobremesa é um sucesso hoje em dia em todos os continentes. o daqui é de lamber os beiços. e para quem quer impressionar suas visitas, aí vai a receita original.
bom apetite!
TIRAMISÙ
Café para umdecer
1 1/2 xícara de café expresso (ou de coador bem forte)
2 colheres(chá) açúcar
Zabaglione
4 gemas de ovos
100gr açúcar
120ml vinho marsala (se não houver, pode ser substituído por porto ou madeira)
450gr de queijo mascarpone em temperatura ambiente
230 ml creme de leite
Base
285gr de biscoitos champagne (aproximadamente 40)
2 colheres (chá) de cacau amargo em pó
Preparo
Prepare o café e adoce ainda quente. Deixe esfriar até que fique em temperatura ambiente. Reserve.
Bata as gemas em uma vasilha de metal (bowl), até que estejam bem fofas. Acrescente o açúcar e bata novamente. Misture o licor e leve para cozinhar em banho-maria. Continue batendo levemente até que o zabaglione engrosse. (após aparecer pequenas bolhas). Reserve.
Com uma espátula de borracha(pão duro), bata o mascarpone até que fique cremoso. Adicione o zabaglione e bata novamente muito bem.
Bata o creme de leite e adicione o creme batido delicadamente a mistura de zabaglione até que obter um creme macio. Reserve.
Embeba levemente os biscoitos no café, um a um, e arrume em uma camada num refratário. (30 x 20 cm x 4 cm). Distribua metade do creme sobre os biscoitos.
Repita a operação complementando com todo o creme restante.
Polvilhe com o cacau em pó e leve para refrigerar por 3-4 horas.(deixe a primeira hora no freezer)
Antes de servir, polvilhe novamente com cacau, corte grandes quadrados e sirva imediatamente.
4:30 PM
Diário de Bordo:
Brendan Beiner
AS TAGARELAS DE DEUS
em 'vergonha dos pés', há um trecho em que fernanda young chama as mulheres de "as tagarelas de deus'". o contexto é outro, já que o assunto era religião, mas o adjetivo é recorrente em se tratando delas. parece consenso que as mulheres falam muito mais que os homens, e aqui não estou querendo botar nenhuma conotação negativa nisso. é apenas uma constatação. no escritório onde trabalho, éramos em 15 homens e apenas 2 mulheres até bem pouco tempo. todos confinados em uma sala única e com mesas minúsculas o que faz com que cada um fique bem próximo ao outro. diferente do que se possa imaginar, não havia muita comunicação entre todos. era aquele silêncio sepulcral o dia todo, com apenas algumas interrupções quando um se dirigia ao outro pra sanar alguma dúvida ou falar ao telefone. ou seja, tédio total e irrestrito. a mesmice foi quebrada quando recentemente foram contratadas mais 2 mulheres, sendo que uma delas é amiga de uma das que já trabalhavam no escritório. aos poucos, conforme o estranhamento inicial com os desconhecidos foi diminuindo, elas começaram a conversar entre si e puxar papo com os companheiros ao lado. ontem me diverti com o grupo que se formou ao meu redor para discutir as receitas diet e light que aprendi no curso. além de todas elas, dois marmanjos timidamente entraram na turma para palpitar sobre os prós e contras da alimentação diet. isso tudo no meio da tarde com o expediente correndo solto e o restante da equipe trabalhando. hoje pela manhã o assunto era filhos e suas profissões. a melhor seria jogador de futebol. por motivos óbvios. grana. foi o suficiente para a marmanjada toda até então reclusa, entrasse na festa já que o assunto era futebol. e lá se foi mais uns 40 minutos de expediente pro saco. algo me diz que o processo é irreversível e que nossos expedientes de trabalho nunca mais serão os mesmos. pelo menos no que diz respeito ao silêncio.
2:03 PM
Diário de Bordo:
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CARA OU COROA?
dois filmes em cartaz mostram, mesmo que superficialmente, os dois lados de uma mesma moeda. um é munich, filme de spielberg que fala sobre o atentado terrorista sofrido por atletas olímpicos israelenses em 1972, que teve como desfecho a morte de todos mostrada ao vivo, pela tv, para o mundo. arquitetada por terroristas árabes, toca na ferida do embate travada há anos entre árabes-judeus. no filme, spielberg tenta manter a neutralidade sobre o tema, mesmo sendo judeu, mas há, contudo, cenas especiais como a em que o agente do mossad, o serviço secreto de israel, conversa com um palestino sem que o outro saiba que ele é judeu. ambos argumentam do porque da atitude de cada povo, tentando usar argumentos que corroborem as atitudes extremistas tomadas por cada um dos lados. com uma leve puxada de sardinha para o judeu, naturalmente. no filme, mesmo sendo os palestinos os bandidos e o judeu o mocinho, cada um dos terroristas é humanizado ao extremo, como nas cenas em que aparecem junto de seus familiares, em sua miséria, o que faz com que o enfoque do filme seja a luta do protagonista com sua consciência ao ter que assassinar cada um deles e não a luta entre os povos em si.
o outro filme é paradise now. neste, o conflito é narrado sob a perspectiva dos palestinos e a vida que são obrigados a levar sob o julgo de israel. amigos de infância, dois jovens palestinos são chamados para uma missão suicida onde deverão matar o maior número de soldados israelenses. na miséria de suas vidas, a única dignidade que lhes sobra é a de tornar-se mártir pela causa palestina. o dia-a-dia do povo é mostrado de uma maneira nua e crua numa cidade fronteiriça, nablus, arrasada pela guerra e totalmente miserável. aqui a ótica árabe ganha tons muito mais contundentes e os judeus são demonizados como inimigos. vale ressaltar que a imagem que temos de extremistas islâmicos malucos, que saem por aí se auto explodindo, é totalmente desconstruída ao mostrar o cotidiano dos personagens principais. são pessoas como eu e você, com família, amores... totalmente normais. toda essa luta é questionada quando entra em cena a filha de um colaborador morto, que argumenta que a violência não se justifica. que para ambos os lados o que sobra ao final são famílias órfãs de seus entes queridos e que isso não muda em nada a questão política que deve ser resolvida em outra esfera e com outros métodos.
para nós que aqui vivemos tão longe desta realidade, é muito difícil tomar partido. curioso foi ter assistido ambos com uma diferença de dias e ver o contraponto de uma história para a outra. quem está certo ou errado? esta é uma questão muito complexa que não me sinto capacitado para responder agora.
em tempo... será que depois desse post já posso virar crítico de cinema? rs
4:27 PM
Diário de Bordo: